Carlos Gomes
- 12 de dez. de 2017
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Carlos Gomes ficou conhecido por Nhô Tonico, nome com que assinava até em suas dedicatórias. Nasceu numa segunda-feira numa humilde casa da Rua da Matriz Nova, na "cidade das andorinhas". Foram seus pais Manuel José Gomes (Maneco Músico) e dona Fabiana Jaguari Gomes.
A vida de Antônio Carlos Gomes foi, sempre, marcada pela dor. Muito criança ainda perdeu a mãe, Fabiana Maria Jaguary Cardoso, tragicamente assassinada aos vinte e oito anos. Seu pai, Manoel Jose Gomes, vivia em dificuldades, com diversos filhos para sustentar. Com eles formou uma banda musical, onde Carlos Gomes iniciou seus passos artísticos. Desde cedo revelou seus pendores musicais incentivado pelo pai e, depois, por seu irmão, José Pedro de Sant’Ana Gomes, fiel companheiro das horas amargas.
É na banda do pai que, mais tarde, Carlos Gomes viria a substituir, que ele vai fazer, em conjunto com seus irmãos, as primeiras apresentações em bailes e em concertos. Nessa época, Antônio Carlos Gomes alternava o tempo entre o trabalho numa alfaiataria costurando calças e paletós, e o aperfeiçoamento dos seus estudos musicais.
Aos 15 anos de idade compôs valsas, quadrilhas e polcas. Aos 18 anos, em 1854, compôs a primeira missa, Missa de São Sebastião, dedicada ao pai e repleta de misticismo. Na execução cantou alguns solos. A emoção que lhe embargava a voz comoveu a todos os presentes, especialmente ao irmão mais velho, que lhe previa os triunfos. Em 1857 compôs a modinha Suspiro d'Alma, com versos do poeta romântico português Almeida Garrett.
Ao completar 23 anos já apresentara vários concertos com o pai. Moço ainda lecionava piano e canto, dedicando-se, sempre, com afinco, ao estudo das óperas, demonstrando preferência por Giuseppe Verdi. Era conhecido também em São Paulo, onde realizava frequentemente concertos e, onde compôs o Hino Acadêmico, ainda hoje cantado pela mocidade da Faculdade de Direito. Aqui recebeu os mais amplos estímulos e todos, sem discrepância, apontavam-lhe o rumo da Corte, em cujo conservatório poderia aperfeiçoar-se. Todavia, Carlos Gomes não podia viajar porque não tinha recursos.
Monumento a Carlos Gomes na Praça Ramos em frente ao Teatro Municipal de São Paulo. Observa-se a estátua de Carlos Gomes sentado ao topo do monumento.
Em quatro de setembro de 1861, foi cantada, no Teatro da Ópera Nacional, A Noite do Castelo, o primeiro trabalho de fôlego de Antônio Carlos Gomes, baseado na obra de Antônio Feliciano de Castilho. Constituiu uma grande revelação e um êxito sem precedentes, nos meios musicais do País. Carlos Gomes foi levado para casa em triunfo por uma entusiástica multidão, que o aclamava sem cessar. O Imperador, também entusiasmado com o sucesso do jovem compositor, agraciou-o com a Imperial Ordem da Rosa.
Carlos Gomes conquistou logo a Corte. Tornou-se uma figura querida e popular. Seus cabelos compridos eram motivo de comentários, e até ele ria das piadas. Certa vez, viu um anúncio, que fora emendado: de "Tônico para cabelos", fizeram "Tonico, apara os cabelos!” Ava dizer, a respeito do jovem musicista: "O que ele é só a Deus e a si o deve!”.
A saudade de sua querida Campinas e de seu velho pai atormentava lhe o coração. Pensando também na sua amada Ambrosina, com quem namorava moça da família Correia do Lago, Carlos Gomes escreveu essa joia que se chama Quem sabe? De uma poesia de Bittencourt Sampaio, cujos versos "Tão longe, de mim distante…” ainda são cantados pela nossa geração.
Dois anos depois desse memorável triunfo, Carlos Gomes apresenta sua segunda ópera, Joana de Flandres, com libreto de Salvador de Mendonça, levada à cena em 15 de setembro de 1863.
Últimos dias de Carlos Gomes - Intendência Municipal de Belém.
Diante de seu estado, pouco antes de morrer o governo de São Paulo autorizou uma pensão mensal de dois contos de réis, enquanto ele vivesse e, por sua morte, de quinhentos mil réis, aos seus filhos, até completarem a idade de 25 anos. Nessa ocasião, existiam somente dois filhos do glorioso maestro.
Dias antes de sua morte, Carlos Gomes diria fatalista:
“ Qual, o mano Juca não chega... Eu sou mesmo o mais caipora dos caipiras... “.























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